Conakry, Guiné Conakry (PANA) - Centenas de jovens de vários bairros do subúrbio de Conakry, munidos de cartazes hostis ao regime do Presidente Lansana Conté, marcharam quinta-feira nas ruas da capital guineense no oitavo dia de greve geral decretada pelos sindicatos locais.
Os manifestantes foram reprimidos por elementos das forças da ordem que lançaram granadas lacrimogéneas e dispararam com balas reais em todos os sentidos, de acordo com testemunhas contactadas pela PANA.
Durante uma marcha improvisada quarta-feira por líderes sindicais que partiram da comuna de Kaloum, bastião do Partido da Unidade e Progresso (PUP, no poder) e sede dos serviços e da administração, as forças da ordem dispararam balas reais para dissuadir os manifestantes antes de deter vários sindicalistas que foram libertaods duas horas mais tarde.
A greve geral começou a 10 de Janeiro último ao apelo da Confederação Nacional dos Trabalhadores de Guiné (CNTG) e da União Sindical dos Trabalhadores de Guiné (USTG), que exigem o regresso à prisão do empresário Mamadou Sylla e do ex-ministro dos Desportos, Fodé Soumah, dois próximos de Lansana Conté detidos por desvios de fundos públicos antes de serem postos em liberdade a 16 de Dezembro último pelo Presidente guineense pessoalmente.
Os manifestantes reclamam ainda pela nomeação, num curto prazo, dum primeiro-ministro de consenso, pelo respeito do princípio de separação dos poderes e pelo regresso à prisão dos amigos do chefe de Estado.
Ao tentar apaziguar a tensão, o Presidente Conté decidiu, terça-feira passada, reduzir o preço da gasolina, pôr fim à exportação das produções agrícolas e florestais e fazer domiciliar na Guiné os activos das empresas mineiras e promotores económicos.
Julgando insuficientes estas respostas às suas reivindicações, os grevistas exortaram, quarta-feira, o presidente da Assembleia Nacional (Parlamento), Aboubacar Somparé, a fazer constatar a vacância do poder pelo Tribunal Supremo.