
Angola e Moçambique estão entre uma dezena de países que serão visitados nos próximos dias por membros do governo do Quénia envolvidos na busca de apoios para uma força africana de manutenção da paz para a Somália.
Os ministros quenianos dos Negócios Estrangeiros, Raphael Tuju, e da Governação Local, Musikari Kombo, foram incumbidos pelo Presidente Mwai Kibaki para tentar convencer esses países a participarem na pacificação da Somália.
Para além de Angola e de Moçambique, os governantes quenianos vão visitar a Nigéria, o Rwanda, a Tanzânia, a Zâmbia, a Tunísia, a Argélia e a África do Sul para pedir-lhes que contribuam para a projectada força de 8 mil soldados que deverão ser enviados para a Somália para apoiar o governo de transição.
Até este momento, o Uganda foi o único país africano que se ofereceu para enviar cerca de mil soldados para a Somália, onde forças etíopes e somalis derrotaram as milícias islamitas que durante 6 meses controlaram a capital, Mogadishu, e vastas áreas das regiões centro e sul daquele conturbado país.
Oportunidade
O chefe de Estado queniano, Mwai Kibaki, preside a Autoridade Inter-Governamental para o Desenvolvimento da África Oriental, que em 2004 ajudou a mediar a formação do governo transitório que no mês passado assumiu o poder em Mogadishu.
Em Nairobi, um porta-voz do governo disse que os ministros quenianos vão tentar angariar quaisquer apoios dos países visados. "Estamos determinados em assegurar que o continente africano não perca esta oportunidade para pacificar a Somália de uma vez por todas", disse o porta-voz.
No domingo, uma delegação da União Africana discutiu em Mogadishu o envio de forças de paz, um processo que não está ainda calendarizado. A Somália desintegrou-se em 1991 depois da deposição do Presidente Mohamed Siad Barre.
O país passou a ser controlado por clãs e por poderosos senhores da guerra, muitos dos quais apoiam agora o governo de transição. Esse executivo foi constituido há dois anos e, até recentemente, estava baseado na cidade de Baidoa, no centro do país.
As autoridades somalis dizem precisar urgentemente de ajuda internacional para estender o seu controlo a todos os cantos dessa desgovernada nação com 10 milhões de habitantes.