Uma juíza francesa decidiu abrir um inquérito de corrupção contra três líderes africanos - Os presidentes Omar Bongo do Gabão, Denis Sassou-Nguesso do Congo Brazaville e Teodoro Obiang Nguema da Guiné Equatorial. A acção segue-se a investigações levadas a cabo pelos escritórios na França da Transparência Internacional, uma ONG global anti-corrupção. A Transparência Internacional acusa os três presidentes bem como as respectivas famílias, de possuírem propriedades e carros de luxo no valor de dezenas de milhões de dólares, bem como dezenas de contas bancárias adquiridas com fundos do erário público. Antes, as associações Sherpa e Survie e a Federação dos Congoleses na Diáspora tentaram processar os líderes sob acusações de terem na França bens imobiliários luxuosos financiados por dinheiro público desviado dos cofres dos respectivos Estados. Mas a justiça não deu provimento às queixas. Relações bilaterais A Transparência Internacional afirma que os bens apresentados na França pelos três dirigentes africanos valem muito mais do que aquilo que eles ganharam oficialmente mas estes negaram quaisquer actividades ilícitas para a aquisição de bens na Europa. O caso poderá afectar as relações diplomáticas e económicas entre a França e o Gabão, o Congo e a Guiné-Equatorial, três países africanos produtores de petróleo. Em análise ao primeiro passo para a abertura de um processo judicial contra os três presidentes africanos, na França, a jornalista Ana Navarro Pedro, em Paris, disse à BBCparaAfrica que que a acção teria um forte impacto na opinião pública. "Os três chefes de estado são três traves-mestras da política francesa em África. A acção pode abalar alguns elementos do direito internacional" disse. Segundo concluíu "independentemente de como o dinheiro foi utilizado em França, por somas tão enormes como 20 milhões de euros, evidentemente que há a noção de uma ingerência de uma antiga potência colonizadora, em Africa nos assuntos internos de uma nação soberana."