O parlamento somali, que se reúne na vizinha Djibouti, vai hoje eleger um novo chefe de Estado na sequência da demissão, no mês passado, do presidente Abdullahi Yousuf após divergências com o primeiro-ministro, Nur Hassan Hussein.
Pelo menos 15 candidatos, incluindo o primeiro-ministro Hussein e o líder islâmico moderado, Sheikh Sharif Ahmed, entram na corrida.
A nova administração, bem como o parlamento somali deverão para a semana transferir-se de Djibouti para a capital da Somália, Mogadíscio, embora haja dúvidas de que, dadas as precárias condições de segurança na cidade, o plano chegue a ser concretizado.
O grupo islâmico extremista, al-Shabab, já disse entretanto que não fazia tenções de reconhecer o novo Governo.
Desafios
Com os combatentes da al-Shabab em controlo da cidade de Baidoa, onde estava antes estabelecido o parlamento e o Governo somali, bem como muitas outras partes do centro e do sul da Somália, os desafios do próximo presidente parecem intransponíveis.
Mesmo assim, 15 candidatos constam da lista para a votação de hoje, tendo cada um apresentado os documentos necessários, como explica o correspondente da BBC, Daud Aweis.
"Alguns documentos, como um curriculum, têm de ser submetidos e cada candidato tem também de provar que não é casado com uma estrangeira. Cada candidato tem ainda de pagar dois mil dólares, não restituíveis", especificou.
O plano prevê que, já no Sábado, o presidente eleito seja formalmente investido antes de embarcar para a capital etíope, Adis Abeba, para comparecer à cimeira de chefes de Estado da União Africana.
Dúvidas
A selecção do novo primeiro-ministro e do restante elenco governamental será depois levada a cabo esperando-se que, já para a semana, Governo e Parlamento sejam transferidos para a capital somali, Mogadíscio.
Mas, dado o nível de rebelião que grassa em Mogadíscio, é realista esperar para tão breve o regresso dos parlamentares e governantes à capital?
"Essa é uma questão que muitos perguntam” – considera Daud Aweis – “porque Mogadíscio enfrenta insurgência todos os dias por parte de vários grupos, e as forças da União Africana não têm suficientes efectivos no terreno para garantir a segurança de 500 deputados e líderes governantais".
O mais provável é que alguns deputados e governantes permaneçam em Djibouti e outros no Quénia e que a Somália, que não tem um governo central desde 1991, continue em grande parte à mercê dos senhores da guerra.