
(com prefácio de Fernando Mourão e comentários de Antonio Candido)
São paulo: Casa das Áfricas, Palas Athena, 2008
424 pp., 81 ilust.
A obra explora a proposição de que várias esferas ligadas à estruturação e dinâmica dos processos sociais de três sociedades negro-africanas (os Iorubá do Benin e da Nigéria, os Agni-Akan e os Senufo da Costa do Marfim) possuem uma dimensão ancestral dotada de concretude histórica. O autor investiga a noção de pessoa para possível definição da controvertida figura do ancestral. Diante da questão da morte, momento de passagem da existência terrestre do homem à sua condição de ancestral, estabelece relações entre práticas sociais daqueles complexos civilizatórios e constrói conceitos materiais para a definição do que é um ancestral nessas sociedades. Examina também algumas instituições sociais de natureza ancestral, mostrando a interação material estabelecida entre elas.
O estudo não é um trabalho sobre religião mas, sim, de identidade africana, e o tratamento tem fundamento universal e não particular, evitando assim uma visão redutora e distanciada da condição humana dessas sociedades.
O livro de Fábio Leite é inovador em muitos aspectos e poderá contribuir para que o leitor e pesquisadores passem a produzir uma reflexão criativa dos temas abordados.
Sobre o autor
Fábio Leite nasceu no Brasil, bacharelou-se em Ciências Políticas e Sociais na Escola de Sociologia e Política de São Paulo e doutorou-se em Ciências Humanas (Sociologia) na Universidade de São Paulo (USP). Ligado ao Centro de Estudos Africanos da USP (CEA/USP) desde 1974, foi credenciado como docente no Programa de Pós-Graduação do Departamento de Sociologia da FFLCH na linha de pesquisa de sociologia da África Negra, coordenando também a área de África do Oeste e o curso de língua Yoruba. Foi também membro do conselho deliberativo e do conselho editorial da revista África do CEA.
Em fins de 1977, foi enviado oficialmente pela USP para colaborar na implantação de um curso de Português e Civilização Brasileira na Universidade de Cocody, na Costa do Marfim, dando início ao convênio internacional estabelecido entre as duas universidades. Permaneceu na universidade africana de 1978 a 1981, época em que realizou a pesquisa para a elaboração da tese que acaba de ser publicada.