Windhoek, Namíbia - O Governo namibiano pôs termo aos planos da firma local de recrutamento "Africa Personnel Services (APS)" e da companhia americana "SOC-SMG" de contratar mercenários namibianos para combater no Iraque e no Afeganistão.
O Executivo advertiu das "consequências" para os Namibianos combater em guerras em outros país sem o seu aval.
O ministro da Informação e Radiodifusão, Netumbo Nandi-Ndaitwah, declarou quinta-feira em Windhoek que o Governo apenas soube destes recrutamentos através da imprensa.
"Embora estas notícias afirmem que os Namibianos apenas serão autorizados a partir para treino no Iraque com a aprovação do Governo namibiano, este último não recebeu nenhum pedido oficial neste sentido", sustentou.
"Se tivesse sido seguido um procedimento oficial junto do Governo seria difícil aceder a tal pedido", notou Nandi-Ndaitwah.
Citando o Artigo 4 (8) (b) da Constituição Namibiana, Nandi-Ndaitwah disse que os cidadãos namibianos engajados em forças militares ou de segurança de outros países sem a autorização escrita do seu Governo poderiam perder a sua nacionalidade.
"O Governo gostaria de recordar aos seus concidadãos as disposições da Constituição namibiana e outras leis se eles pretenderem integrar o pessoal de segurança de países estrangeiros", frisou.
Cita igualmente a Lei da Defesa de 2002 que estipula que nenhum cidadão pode servir ou pedir a servir numa força militar, de reserva ou uxiliar dum país senão a Namíbia sem a permissão escrita do ministro da Defesa.
A SOC-SMG, que se apresenta como líder mundial na gestão de serviços de segurança, e a APS, filial duma companhia sul-africana, concluíram um acordo de recrutamento de Namibianos dotados de experiência na segurança, na Polícia ou no Exército para servir de agentes de segurança no Iraque, um país assolado pela guerra, e no Afeganistão, onde os Estados Unidos estão fortemente presentes.
Analistas consideram que África, devido à sua experiência em matéria de manutenção da paz, tornou-se um terreno fértil para os mercenários.