
Elikia M'Bokolo
Bangui, República Centro Africana - O historiador congolês Elikia M'bokolo defendeu quinta-feira, no final duma conferência- debate na Universidade de Bangui, um processo de integração faseada de África, considerando que o continente "é uma máquina pesada que precisa muito tempo para caminhar".
"É preciso uma integração por fases progressivas, à imagem da construção duma casa, e não retomar a ideia de (Kwame) Nkrumah, no seu tempo, que a unidade imediata do continente é possível", afirmou o historiador congolês, que animava uma conferência sobre o tema: "O Panafricanismo: Contributos e Herança de Kwame NKrumah", primeiro Presidente do Gana.
Disse que a unidade de África é tributária da das regiões do continente, nomeadamente da África Central, "onde reina infelizmente um clima de tensão, enquanto possui um dos pulmões do mundo e importantes reservas de água".
De acordo com ele, África é "uma máquina pesada que precisa muito tempo para caminhar, mas que dispõe de capacidades para progredir".
O historiador congolês citou como forças do continente as matérias- primas e "a força de trabalho que representa a sua jovem população, em oposição à população europeia, por exemplo, que poderá, dentro de 30 anos, ser composta por 50 por cento de pessoas de cerca de 60 anos".
"O trabalho está no nosso campo, os outros olham-nos com horror", declarou M'bokolo, acrescentando que "as antigas potências coloniais não estão nem a favor nem contra a integração africana".
O historiador congolês encerrou, com esta conferência, uma estada duma semana na República Centro Africana, onde presidiu o júri das primeiras teses de Mestrado em História da Universidade de Bangui desde a adopção, há um ano, do sistema LMD (Licença, Mestrado, Doutoramento).
Bangui - 08/06/2007