Angolanos queixam-se da centralização de serviços em Luanda

04.04.2007    BBCParaÁfrica

Angola celebra quinto aniversário da paz
Reginaldo Silva

http://www.bbc.co.uk/portugueseafrica/news/story/2007/04/070404_angolapeaceanniversarybp.shtml

Luanda - Angola assinala esta quarta-feira, com o estatuto de feriado nacional, o quinto aniversário do acordo de paz entre Governo e Unita
O acordo assinado a 4 de Abril de 2002, veio colocar ponto final no devastador conflito militar de cerca de trinta anos.

O país foi assolado pela guerra civil que marcou o país, desde que a 11 de Novembro de 1975 os angolanos se tornaram independentes de Portugal.

Cinco anos depois, o país mudou sobretudo ao nível da livre circulação de pessoas e bens pelo vastíssimo território nacional.

Agora o principal obstáculo são as estradas que desapareceram ou os buracos transformados em crateras, que passaram a dominar o que sobrou do asfalto herdado do tempo colonial.

Já é possível, contudo, aos angolanos fazerem planos para o futuro sem recearem mais o fantasma da guerra.

Este é sem dúvida o principal ganho para o país nestes primeiros cinco anos de paz.

Balanço

Quanto ao resto não é fácil encontrar consensos entre os angolanos sobre o balanço deste período.

Do lado do governo o destaque vai para os resultados positivos que se alcançaram ao nível da estabilidade macro-económica.

A reconstrução das infra-estruturas como estradas e pontes, bem como os sistemas de abastecimento de água e electricidade, também são apontadas pelo executivo.

Foram cinco anos em que a economia angolana dependente em mais de 80% das suas receitas petrolíferas, beneficiou de uma conjuntura internacional extremamente favorável.

Do lado dos cidadãos, de uma forma geral, o balanço é bem diferente num país que ainda não conseguiu inverter as preocupações sociais mais preocupantes.

Há níveis extremos de pobreza absoluta que ultrapassam os 60% da população.

Nas ruas da capital, algumas pessoas mostram sinais de preocupação com a descentralização do poder, a melhoria das infra-estruturas e o desemprego.