
Angolanos queixam-se da centralização de serviços em Luanda
Luanda - Angola assinala esta quarta-feira, com o estatuto de feriado nacional, o quinto aniversário do acordo de paz entre Governo e Unita
O acordo assinado a 4 de Abril de 2002, veio colocar ponto final no devastador conflito militar de cerca de trinta anos.
O país foi assolado pela guerra civil que marcou o país, desde que a 11 de Novembro de 1975 os angolanos se tornaram independentes de Portugal.
Cinco anos depois, o país mudou sobretudo ao nível da livre circulação de pessoas e bens pelo vastíssimo território nacional.
Agora o principal obstáculo são as estradas que desapareceram ou os buracos transformados em crateras, que passaram a dominar o que sobrou do asfalto herdado do tempo colonial.
Já é possível, contudo, aos angolanos fazerem planos para o futuro sem recearem mais o fantasma da guerra.
Este é sem dúvida o principal ganho para o país nestes primeiros cinco anos de paz.
Balanço
Quanto ao resto não é fácil encontrar consensos entre os angolanos sobre o balanço deste período.
Do lado do governo o destaque vai para os resultados positivos que se alcançaram ao nível da estabilidade macro-económica.
A reconstrução das infra-estruturas como estradas e pontes, bem como os sistemas de abastecimento de água e electricidade, também são apontadas pelo executivo.
Foram cinco anos em que a economia angolana dependente em mais de 80% das suas receitas petrolíferas, beneficiou de uma conjuntura internacional extremamente favorável.
Do lado dos cidadãos, de uma forma geral, o balanço é bem diferente num país que ainda não conseguiu inverter as preocupações sociais mais preocupantes.
Há níveis extremos de pobreza absoluta que ultrapassam os 60% da população.
Nas ruas da capital, algumas pessoas mostram sinais de preocupação com a descentralização do poder, a melhoria das infra-estruturas e o desemprego.