
As motocicletas são o principal meio de transporte em Burkina
Ougadougu, Burkina Faso Essa é a paixão que transformou o país num dos maiores mercados mundiais de motocicletas per capita. Capital das duas rodas Motorizadas ou motocicletas, as ruas da empoeirada e seca capital, Ouagadougou, estão repletas delas, muitas acabadas de comprar. Os burkinabes já se referem à sua capital como a Capital des Deux Roues, ou a capital das duas rodas. Mulheres vestidas com roupas da moda montadas nos novos modelos chineses, em oficinas de motocicletas ou lojas de liquidação são vistas em todas as ruas. Numa destas oficinas, Kabore Ismali espera que a sua sua motocicleta seja consertada. "É a minha terceira motocicleta. Quando elas ficam velhas gosto de trocá-las, comprar uma nova", diz o mecânico de 30 anos. "Quando vejo um novo modelo quero logo tracar a moto antiga, e não é tão caro". Afeição Mágica Os burkinabes sempre adoraram andar em duas rodas, seja em bicicletas ou motocicletas, mas a importação de novos modelos chineses tornou os preços mais acessíveis para muita gente, explica Nasser Basma, chefe executivo da revendedora Megamonde. A sua empresa importa e vende cerca de 15 000 motorizadas por ano, uma grande parcela das 50 000 vendidas anualmente no país. As mais baratas custam cerca de 400 000 francos. "Se você for a qualquer casa em Burkina Faso, grande ou pequena, encontrará pelo menos uma moto. É uma espécie de afeição mágica", diz Basma. No entanto, a grande explicação para essa afeição é o factor económico. "Burkina Faso é um país muito pobre, sem nenhuma fonte de renda. Os burkinabes não têm recursos para comprarem carros, e mesmo os que têm sofrem com o preço do combustível. As motocicletas são um transporte alternativo". Para a Megamonde e seus concorrentes, as motos são um grande negócio. "Ouaga é um dos grandes mercados per capita. Burkina Faso é o país com maior número de motocicletas em África, seguido do Benin e da Nigéria". Pobreza ou Paixão? O argelino, Nhami Soufiane, mora em Burkina Faso há 15 anos e planeia lançar a Africaautomoto, a primeira revista especializada em motocilcletas do continente. Em alguns países, diz ele, dirigir uma motocicleta pode significar pobreza, ser sinónimo de vergonha, já que demonstra a falta de recursos para comprar um carro. Mas para Soufiane, o fascínio dos burkinabes por motorizadas mostra a sua preocupação em relação ao que os outros pensam de seu estatuto financeiro. "Se conduzes uma moto no Mali, isto quer dizer que és pobre. Mas em Burkina Faso não significa pobreza. Para um jovem burkinabe de 20 anos a sua primeira paixão é a motocicleta, é a sua primeira namorada".