14.03.2007    BBC

Angola suspende negociações com FMI
Lara Pawson

http://www.bbc.co.uk/portugueseafrica/news/story/2007/03/070313_angolaimfaws.shtml

Luanda - Angola diz já não precisar do FMI para se estabilizar economicamente
Angola cancelou todas as suas negociações com o Fundo Monetário Internacional, alegando estar em condições de manter, por si só, a estabilidade económica.
Numa carta endereçada recentemente ao FMI, o ministro angolano das Finanças, José Pedro de Morais, teria dito que a economia havia crescido, em termos reais, em 13% nos últimos 3 anos.

Morais teria igualmente referido que o seu governo havia implementado, com sucesso, o seu próprio programa de estabilização macro-económica - ao mesmo tempo que dependia exclusivamente dos seus próprios recursos.

Este mês, a produção angolana de petróleo deverá atingir 1,6 milhões de barris diários.

Durante os últimos anos, a economia angolana registou um crescimento maciço e a inflação está sob controlo.

Acredita-se que, devido aos vastos recursos petrolíferos existentes no país, o governo angolano já não necessite do FMI.

Contudo, alguns observadores preocupar-se-ão por considerarem que este último desenvolvimento envolvendo o FMI não ajudará nem a transparência nem a população mais pobre.

Prosperidade

O ministro das Finanças disse ao FMI que esta nova vaga de prosperidade criara novas oportunidades com o que chamou de "novos parceiros" e que, nesta base, as consultas com aquela instituição haviam sido canceladas.

Só este ano, espera-se que Angola produza 585 milhões de barris de petróleo, avaliados em mais de 30 mil milhões de dólares.

Este montante é superior ao da ajuda prestada à totalidade do continente africano em 2006 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, OCDE.

O anúncio do corte da cooperação de Angola com o Fundo Monetário Internacional certamente não apanhará de surpresa quaisquer observadores.

Há vários anos que o FMI se mostrava inquieto com as contas angolanas dos dinheiros provenientes da venda de petróleo.

Contudo, continua por esclarecer em que medida a interrupção das negociações com o FMI poderá afectar a dívida de cerca de 2,3 mil milhões de dólares que Angola tem com os credores do Clube de Paris.