Luanda - Angola diz já não precisar do FMI para se estabilizar economicamente
Angola cancelou todas as suas negociações com o Fundo Monetário Internacional, alegando estar em condições de manter, por si só, a estabilidade económica.
Numa carta endereçada recentemente ao FMI, o ministro angolano das Finanças, José Pedro de Morais, teria dito que a economia havia crescido, em termos reais, em 13% nos últimos 3 anos.
Morais teria igualmente referido que o seu governo havia implementado, com sucesso, o seu próprio programa de estabilização macro-económica - ao mesmo tempo que dependia exclusivamente dos seus próprios recursos.
Este mês, a produção angolana de petróleo deverá atingir 1,6 milhões de barris diários.
Durante os últimos anos, a economia angolana registou um crescimento maciço e a inflação está sob controlo.
Acredita-se que, devido aos vastos recursos petrolíferos existentes no país, o governo angolano já não necessite do FMI.
Contudo, alguns observadores preocupar-se-ão por considerarem que este último desenvolvimento envolvendo o FMI não ajudará nem a transparência nem a população mais pobre.
Prosperidade
O ministro das Finanças disse ao FMI que esta nova vaga de prosperidade criara novas oportunidades com o que chamou de "novos parceiros" e que, nesta base, as consultas com aquela instituição haviam sido canceladas.
Só este ano, espera-se que Angola produza 585 milhões de barris de petróleo, avaliados em mais de 30 mil milhões de dólares.
Este montante é superior ao da ajuda prestada à totalidade do continente africano em 2006 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, OCDE.
O anúncio do corte da cooperação de Angola com o Fundo Monetário Internacional certamente não apanhará de surpresa quaisquer observadores.
Há vários anos que o FMI se mostrava inquieto com as contas angolanas dos dinheiros provenientes da venda de petróleo.
Contudo, continua por esclarecer em que medida a interrupção das negociações com o FMI poderá afectar a dívida de cerca de 2,3 mil milhões de dólares que Angola tem com os credores do Clube de Paris.