Tropas comandadas por Bemba começam a deixar a capital

23.11.2006   

Bemba retira soldados de Kinshasa
BBC Para África

http://www.bbc.co.uk/portugueseafrica/news/story/2006/11/061123_congosoldiersleftbp.shtml

Oficiais militares na capital Congolesa Kinshasa, dizem que 50 seguranças armados que guardam o candidato presidencial, Jean Pierre Bemba, retiraram da cidade e que mais poderão seguir-lhes os passos.
Mas uma oficial do partido de Bemba, Justine Kasavabu, descreveu o ultimato do Presidente Kabila, de 48 horas dado para a retirada das tropas como provocador.

O Presidente Joseph Kabila, da República Democrática do Congo, deu ontem à noite um prazo de 48 horas para que as forças de paz da ONU retirem da capital os combatentes do seu rival político, o vice-presidente Jean-Pierre Bemba.

Kabila disse que caso não seja a ONU a fazê-lo, ele próprio ordenará a intervenção do exército congolês. Calcula-se que Bemba tenha em Kinshasa cerca de 600 homens armados.

A retirada deste grupo de combatentes de Jean-Pierre Bemba foi confirmada por uma fonte das Nações Unidas, que pediu o anonimato.

A fonte disse que os combatentes estavam agora na vila de Maluku, uma base de Bemba situada a 80 quilómetros de Kinshasa.

Uma fonte dos serviços congoleses de segurança também confirmou a movimentação.

Ambas as fontes disseram que os 50 homens de Jean-Pierre Bemba haviam retirado de Kinshasa sob a supervisão de efectivos do exército governamental e sem a ajuda das forças das Nações Unidas.

Tropas congolesas estão a patrulhar as ruas de Kinshasa, que foram, nos últimos meses, palco de fortes batalhas entre as forças governamentais e os combatentes de Bemba. Há também patrulhas de forças das Nações Unidas e da União Europeia.

Justine Mpoyo Kasavubu, uma porta-voz da coligação de Bemba, disse à BBC que as alegações "devem ser investigadas".

Ela também afirmou que a decisão do Presidente Kabila de fazer um ultimato para a retirada, da capital, das forças do seu rival político constituia "uma provocação".

"Temos provas que mostram ter havido uma fraude massiva. Kabila continua sem ser empossado e não entendemos este ultimato que fez. Trata-se de uma provocação e nada mais. Todas estas provocações vêm do lado de Kabila".

Jean-Pierre Bemba rejeitou, na semana passada, os resultados provisórios da segunda volta das eleições presidenciais que, segundo a Comissão Eleitoral, foi vencida pelo incumbente, Joseph Kabila.

Na última terça-feira, apoiantes de Bemba, entre eles alguns dos seus guarda-costas, envolveram-se em distúrbios e num forte tiroteio diante do Supremo Tribunal, em Kinshasa. O edifício foi incendiado pelos manifestantes.

O Supremo Tribunal do Congo terá de confirmar os resultados provisórios das eleições, depois de dar resposta às queixas apresentadas por Jean-Pierre Bemba, que alega ter havido fraude.