
O presidente Lansana Conté
No estado oeste-africano da Guiné, o balanço de mortos da violência registada nas últimas 24 horas ascende a pelo menos três dezenas.
Mantém-se uma forte presença das forças de segurança na capital e em outras localidades na sequência dos recentes confrontos naquele que foi o dia mais violento da greve geral que desde há duas semanas afecta o país.
Informações sugerem que o balanço de mortos ultrapassa as três dezenas.
Líderes sindicais já se encontram em liberdade depois de segundo o correspondente da BBC em Conacri, a Primeira Dama, Harriette Conté, ter intercedido a favor da libertação dos detidos.
Entre várias reivindicações, os manifestantes pretendem ver o presidente Lansana Conté afastado do poder.
As autoridades militares de Bissau desmentiram a presença de tropas suas no conflito no país vizinho, tal como havia sido alegado por elementos da oposição em Conacri.
Médicos no hospital de Donka em Conacri dizem ter ficado impressionados pelo número de pessoas com ferimentos de balas. Os medicamentos escasseiam.
Os grevistas querem o afastamento do presidente Conte dizendo que está demasiado doente para governar e acusam-no de má gestão económica e de assegurar a libertação da prisão de dois indivíduos acusados de corrupção.
Espera-se que os presidentes Abdoulaye Wade do Senegal e Olusegun Obasanjo da Nigéria se desloquem ao país para ajudarem a mediar esta crise.
O nosso correspondente diz haver contudo dúvidas sobre se lhes será permitida a entrada.
O secretário-geral Ban Ki-moon, afirmou a sua preocupação perante o que designou de utilização excessiva da força por parte da polícia.
Referindo-se às reivindicações dos manifestantes, o porta-voz de Ban ki-moon, Yves Sokorob, disse à BBC que as Nações Unidas não tinham planos para interferir na crise.
A Guiné tem acolhido milhares de refugiados de conflitos em países da região como a Costa do Marfim, Serra Leoa e Libéria pelo que uma implosão teria repercussões na região.
Estes receios foram expressos pela presidente liberiana, Ellen Johnson-Sirleaf, cujo país ainda está fragilizado pela longa guerra civil.
A União Europeia entretanto já anunciou que vai rever a ajuda ao país à luz dos recentes embates governamentais com os manifestantes.