
Manifestantes na Guiné-Conacri exigem a demissão do presidente Conté
Confrontos entre manifestantes e forças de segurança saldaram-se hoje em cerca de duas dezenas de mortos.
Há batalhas campais na capital Conacri e noutras cidades, depois de milhares de manifestantes terem saído às ruas exigindo a demissão do presidente Lansana Conté.
No décimo terceiro dia de uma greve geral começam a escassear alimentos na capital e o comércio está paralizado.
Na semana passada foram mortos dez manifestantes e dirigentes sindicais dizem que centenas de pessoas se encontram detidas.
Este fim de semana, o presidente Conté pediu o apoio do povo e das forças armadas, mas o apelo parece ter reforçado os protestos.
Um correspondente da BBC em Conacri diz que a manifestação de hoje foi a maior desde que a greve começou há 13 dias.
Sindicatos e oposição juntos
Os manifestantes gritavam. ' Basta! Adeus Lansana Conté'.
Notícias não confirmadas dão conta de mais mortes entre os manifestantes, mas os números são contraditórios.
De acordo com o correspodente da BBC em Conacri, Amadou Diallo, num despacho enviado há umas horas, só na capital falava-se em 15 mortos.
Os sindicatos guineenses, a que se juntaram os partidos da oposição, exigem a demissão do presidente Lansana Conté, que dizem estar muito velho para governar.
Os grevistas acusam igualmente o chefe do estado de má-gestão da economia e de ter assegurado a libertação de dois homens acusados de corrupção.
No fim de semana, Conté dirigiu uma mensagem à nação pedindo o apoio da população e do exército.
Presidente Conté pede apoio
'Os que querem o poder devem esperar a sua vez. É Deus que dá o poder e quando o entrega a alguém, todos os outros devem apoiá-lo, ' disse Conté.
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban-Ki-Moon e o líder da União Africana, Alpha Oumar Konaré instaram as partes ao diálogo.
Os preços dos alimentos são referidos como estando a disparar em flecha em Conacri, registando-se já ruptura de dois bens essenciais, o arroz e o pão.
O presidente Lansana Conté chegou ao poder em 1984 através de um golpe de estado.
Desde então foi declarado vencedor de três eleições, mas tem agora mais de 70 anos e sofre de diabetes.
Esta é a terceira greve geral na Guiné-Conacri no espaço de um ano.