O sociólogo Komoe Gaston Yao nasceu na aldeia Kouassikro, uma pequena localidade da subprefeitura de Arrah, na região de N’Zi-Comoé, Costa do Marfim (África do Oeste), não muito distante da fronteira daquele país com o Gana, terra ancestral do grande grupo Akan, do qual fazem parte os Agni Morofoé (grupo ao qual Yao Komoe pertence). Em 1990, após terminar seus estudos na Universidade de Cocody (antiga Universidade Nacional da Costa do Marfim) Komoe embarcou para o Brasil, selecionado pelo Programa Estudante Convênio - PEC-G do governo brasileiro. Aqui, ele desenvolveu seus estudos de mestrado no programa de pós-graduação em sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - FFLCH da Universidade de São Paulo - USP, sob a orientação do prof. Fábio Leite, e defendeu, em 1997, o trabalho intitulado “Brasil e África em textos de Jorge Amado (convergências reais ou simbólicas de valores negro-africanos e afro-brasileiros)”. Nos 12 anos que aqui viveu, Komoe, além de terminar sua dissertação, motivo que o trouxe ao Brasil, começou o doutorado, participou ativamente da Associação dos Marfinenses do Brasil (AIB), iniciando alguns brasileiros nos conhecimentos da África e da Costa do Marfim, em particular. Em 1992, Komoe casou-se com a brasileira Nilda, com quem teve um filho, Patrice Assamoa Komoe. O Brasil tornou-se, podemos afirmar, a segunda pátria de Komoe. A história de Komoe, que herdou o nome de um dos principais rios da Costa do Marfim, fronteira natural com o Gana, confunde-se, em alguns aspectos, com a história de tantos outros africanos que deixam a sua família, a sua aldeia, o seu país, para estudar fora.
A Casa das Áfricas, ao atribuir à sua biblioteca o nome do saudoso amigo Komoe Yao, mais do que uma homenagem a sua memória, presta homenagem àqueles velhos, jovens e crianças, homens e mulheres, que fazem a história da África.
Komoe Gaston Yao faleceu em 2001, na Costa do Marfim.
1. Os Agni ocupam a região leste da Costa do Marfim, fronteira com Gana e representam, na atualidade, 4,1% de toda a população da constelação Akan, cerca de 755.365 indivíduos divididos em 4 subgrupos: Bona, Ndenie, Morofoé e Samwy.
2. 1º. e 2º. filhos, nenhum nome especial; 3º. filho, N’Guessan (para menino ou menina) se for do mesmo sexo que os dois primeiros filhos. O nome vem de N’ssan, três em Agni; 4º. filho, N’dèdè (para menino ou menina) se for do mesmo sexo que os dos três primeiros filhos e Kin’do se for de sexo diferente dos três primeiros; 5º. filho, nenhum nome especial; 6º. filho, Nyamessan ou Anzian. O nome vem de Zian, seis em Agni; 7º. Filho, N’zoa. O nome vem de N’sso, sete em Agni; 8º. filho, Nyamké. O nome vem de Mokué, oito em Agni; 9º. filho, Goram ou Niangoran. O nome vem de Golan, nove em Agni; 10º. Filho, Blou. Dez em Agni; 11º. Filho, Edoukou ou Blou non kou. O nome vem de Blounonkou, onze em Agni.
3. Existem ainda nomes especiais para crianças nascidas após a sucessiva morte dos filhos recém-nascidos de uma mesma mulher. Neste caso o nome tanto pode designar algo valoroso como algo vergonhável. Essas crianças são enviadas pelos ancestrais ou pelos elementais para que obtenham um determinado objeto na terra (um belo nome, bijuterias, roupas, etc.). Concluída a tarefa eles retornam para o lugar de onde vieram.
4. Após a imposição do nome, condição pela qual a criança é agregada à família, o grupo terá a oportunidade de ver novamente ritualizado o mito da epopéia dos Akan em seu êxodo, ocorrido entre os séculos XVII e XVIII. A nova mãe se dirigirá a um dos rios das proximidades da localidade e nela depositará um pedaço de madeira, substituto da criança do sacrifício do relato do êxodo. O pedaço de madeira em questão foi utilizado pela parteira durante o parto para seccionar o cordão umbilical tendo por isso uma parte do sangue da criança e da mãe.